Da Índia ao Prato Brasileiro
by Felipe Brito

Da Índia ao Prato Brasileiro
De fruto muito popular e presente na mesa dos brasileiros, a mangueira está tão presente em nossa cozinha que praticamente é impossível pensar numa fruta da culinária nacional sem passar por ela. Ela, na verdade, é oriunda da Índia e do restante do sudeste asiático. Sua difusão percorreu o mundo de tal maneira que chegou ao Brasil, sendo o primeiro local, nas Américas, no cultivo da manga, a partir do século 16.
- Pintura de Sita Ram (1814).
O seu cultivo ficou inicialmente concentrado no estado de São Paulo, de onde foram difundidas outras variedades de manga para o restante do Brasil. Com o passar das décadas e o avanço das técnicas agrícolas, a produção foi se expandindo para outras regiões. Entre as décadas de 1970 e 1980, o Nordeste passou a concentrar a maior produção da fruta, sobretudo na região do Vale do São Francisco, que reúne condições climáticas ideais, como alta incidência solar, baixa umidade e disponibilidade de irrigação. Essa combinação favoreceu uma produção intensiva, tecnificada e voltada tanto para o mercado interno quanto para a exportação.
Atualmente, o Brasil figura entre os maiores produtores de manga do mundo, com destaque para estados como Bahia, Pernambuco e São Paulo. A região do Vale do São Francisco, em especial, tornou-se um dos principais polos exportadores, abastecendo mercados exigentes como Europa e Estados Unidos. Esse crescimento está diretamente ligado ao investimento em tecnologia, manejo eficiente e escolha de variedades adaptadas às demandas comerciais.

- Fazenda de mangueira no Vale do São Francisco
No entanto, apesar de sua origem oriental, espécimes selecionados da Flórida se tornaram muito presentes na alimentação brasileira, devido a diversos fatores, como resistência às pragas, maior produtividade, padronização dos frutos e alto potencial de exportação. Dentre essas variedades, destaca-se a manga Tommy Atkins (Mangifera indica), amplamente cultivada no país por sua durabilidade pós-colheita e resistência ao transporte, características essenciais para o comércio em larga escala. Outras variedades também ganharam espaço, como Palmer, Kent e Keitt, conhecidas por sua menor quantidade de fibras e sabor mais doce.
Além da importância econômica, a manga também possui grande relevância nutricional. Rica em vitaminas A e C, antioxidantes e fibras, ela contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão e manutenção da saúde da pele. Seu consumo regular está associado a uma alimentação equilibrada e saudável, o que reforça ainda mais sua presença na dieta dos brasileiros.
Atualmente, a manga é utilizada no consumo in natura, podendo ser apreciada sozinha ou como complemento em saladas, sobremesas e pratos agridoces. Também é amplamente utilizada na produção de sucos, polpas congeladas, geleias e doces. Nos últimos anos, novas formas de consumo vêm ganhando destaque, como a manga desidratada, em pó ou incorporada em produtos industrializados, agregando valor nutricional e ampliando suas possibilidades no mercado alimentício.

- Salsa de Manga.
Dessa forma, a manga não é apenas uma fruta tradicional, mas também um produto dinâmico dentro da cadeia agroalimentar, com grande potencial de inovação, valorização e expansão tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
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Referências
- BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Vale do São Francisco vai exportar mangas para a Coreia do Sul. Brasília, 2016 (atualizado em 2025).
- DONADIO, Luiz Carlos (org.). Variedades brasileiras de manga. São Paulo: Editora Unesp, 2001.
- LIMA, J. R. F. de et al. Análise do mercado de manga produzida no Vale do São Francisco: cenário atual e perspectivas para o curto prazo. In: CONGRESSO DA SOBER NORDESTE, 13., 2018, Juazeiro. Anais [...]. Juazeiro: UNIVASF, 2018.
- LOBATO, Giselly Martins. Recursos genéticos e melhoramento da mangueira no Brasil. 2023. 38 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências de Chapadinha, Chapadinha, 2023.
- PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Tabela de composição de alimentos: suporte para decisão nutricional. 2. ed. São Paulo: Manole, 2002.